Tudo o que você precisa saber sobre o Trading

O que é Trading? [Guia do Trader iniciante de 2024]
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O Trading consiste na compra e venda de ativos no mercado financeiro. Siga conosco neste guia gratuito destinado aos Traders iniciantes e conheça melhor esse tipo de negociação on-line.

O que é Trading?

Uma definição precisa e completa de Trading

A palavra Trading vem do inglês e corresponde às negociações de produtos financeiros, como ações, commodities, títulos públicos, criptoativos, moedas e derivativos. 

Nesse tipo de transação, a compra e venda de ativos são chamadas de trades, enquanto a pessoa que executa as operações é conhecida como Trader ou operador de mercado, em português.

A seguir, conheça os tipos de Traders:

Traders profissionais

O Trader profissional é aquele focado em ganhar dinheiro através das variações de preços dos ativos no curtíssimo prazo. Embora alguns sejam vistos como meros especuladores, nem todos atuam desta forma.

No Trading profissional, é necessário distinguir:

  • Proprietary Trading, no qual o Trader envolve recursos próprios em transações especulativas, ou seja, aposta na evolução dos preços do mercado financeiro na esperança de conseguir “vencer o mercado” para obter ganhos de capital;
  • Flow Trading, no qual o Flow Trader atua como um intermediário entre o mercado e os investidores, executando suas ordens pelo melhor preço possível e recebendo uma comissão pelas transações realizadas.

Traders independentes

Os Traders Independentes são aqueles que costumam fazer operações especulativas, como apostar na alta ou na baixa de um índice da bolsa de valores para aproveitar um movimento de preços e lucrar no curto prazo.

As boas e as más razões para negociar

Contrário ao que muitos pensam, negociar no mercado financeiro, especialmente no Day Trading, não é sinônimo de ganho fácil. 

Um estudo feito pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou que 97% das pessoas que especulam na bolsa de valores perdem dinheiro.

Os Traders profissionais geralmente são bem pagos pelas instituições nas quais trabalham por possuírem habilidades técnicas e saberem rentabilizar o capital, que pode alcançar a cifra dos bilhões.  

Isso faz as pessoas imaginarem que os Traders independentes também ganham muito dinheiro. No entanto, eles normalmente não possuem fundos suficientes para lidar com esses volumes para rentabilizar, por mais que sejam altamente habilidosos.

Por isso, tenha cuidado! Seu talento ou sorte podem resultar em operações lucrativas, mas você terá que desafiar as probabilidades!

Confira as boas razões para negociar:

  • Desenvolver seu conhecimento financeiro (hard skills)

Compreender o funcionamento dos mercados financeiros por meio da prática, ajuda a preencher a lacuna entre a teoria acadêmica e a realidade, especialmente se você estiver considerando uma carreira em finanças.

  • Trabalhar suas habilidades (soft skills)

Para além das competências puramente financeiras, o Trading permite adquirir ou reforçar um conjunto de competências úteis no dia a dia, como visão estratégica, disciplina, controle emocional, entre outras.

  • Apenas para diversão

Se o Trading não é o seu trabalho e se a sua saúde financeira não está em jogo (nunca deveria estar), ele se torna um hobby por si só. Não há nada de errado em negociar como se você jogasse pôquer com amigos!

Apenas não se jogue de cabeça no Trading para “ficar rico” ou mesmo para “complementar sua renda”. Faça-o acima de tudo por prazer. Caso você também consiga ganhar dinheiro negociando, melhor ainda.

O verdadeiro objetivo do Trader


Os Traders independentes costumam ter múltiplas razões para negociar, mas todos possuem um objetivo em comum: vencer o mercado.

Na prática, isso não significa somente ganhar dinheiro em uma transação ou ter um desempenho superior ao do mercado. Os Traders precisam alcançar uma performance que supere o risco dos ativos negociados.

Imagine que o índice de ações Dow Jones valorizou 2% ao longo de um dia. Se o Trader apostou na alta e obteve um desempenho de apenas +1%, ele não venceu o mercado. 

O mesmo vale para os que, durante o pregão, alcançaram um retorno de +10%, ou seja, 5 vezes mais do que o desempenho do índice do mercado de ações, correndo 10 vezes mais riscos por um rendimento apenas 5 vezes melhor. 

Portanto, tudo depende do risco envolvido. O que define se o Trader venceu o mercado não é se ele ganhou dinheiro, mas sim se ele obteve um desempenho melhor do que mercado correndo um risco equivalente ao dele.

Lembre-se que vencer o mercado em uma operação não o torna um Trader de sucesso. Você precisa ter resultados consistentes, limitando o impacto do fator “sorte”. E isso não é fácil!

O Trading é como um jogo de soma zero, no qual os ganhos de alguns são as perdas de outros. As operações devem se mostrar significativamente precisas, para atingir ganhos de capital altos o suficiente para cobrir os custos de corretagem e serem lucrativas.


Escolha a melhor estratégia de Trading 

As 3 dimensões de uma estratégia de Trading


O mercado financeiro assemelha-se a uma floresta virgem com várias minas de ouro (anomalias de mercado), exploradas diariamente por mineradores ambiciosos (Traders).

Ao encontrar uma mina, eles se esforçam para explorá-la ao máximo, tomando cuidado para que não sejam localizados pelos seus concorrentes. 

Os Traders, assim como esses mineradores, normalmente não compartilham as suas estratégias vencedoras. Afinal, isso traria mais concorrência e reduziria a sua “fatia do bolo”. Consequentemente, isso impactaria nos seus ganhos financeiros.

Portanto, não existe uma estratégia de Trading pronta para o uso, mas sim condições para desenvolvê-las com base em três componentes:

  1. Estilo de Trading;
  2. Modo de operar;
  3. Plano de Trading.

Siga a leitura e conheça melhor cada um desses elementos.

Estilo de Trading:

  • Scalping, quando o scalper compra e vende ativos rapidamente, ficando na posição por alguns minutos ou segundos;
  • Day Trading, quando o day Trader faz operações diárias, que podem durar alguns minutos ou horas;
  • Swing Trading, quando o swing Trader faz negociações mais espaçadas, permanecendo na posição por algumas horas ou semanas;
  • Position Trading, quando o position Trader faz operações de longo prazo, que podem durar semanas, meses ou anos.

Modo de operar:

  • Trading manual (negociações sem o uso de algoritmos);
  • Trading automatizado (operação totalmente algorítmica);
  • Trading semiautomatizado (meio manual, meio automático).

Bom saber

O Trading automatizado não deve ser confundido com o Trading de alta frequência, que representa apenas uma das formas de operar no mercado. O uso de Expert Advisors (EA) e algoritmos de Trading independentes são outras alternativas de negociação automática.

Plano de Trading baseado em um ou mais métodos:

  • Análise fundamentalista (que estuda os fundamentos dos produtos financeiros);
  • Análise técnica (que observa o histórico de preços dos ativos);
  • Análise comportamental (que analisa os operadores do mercado).

Com essas informações, você já pode compor a estratégia de Trading que melhor atende ao seu perfil de risco e objetivos financeiros!

3 perguntas-chave para escolher sua estratégia de Trading

A construção de uma estratégia de Trading é acima de tudo pessoal, apesar do surgimento de novas tendências, como o Social Trading (ou Copy Trading). A seguir, veja 3 perguntas que podem guiá-lo na escolha da sua abordagem:

#1 Quanto tempo você pode gastar operando?

Scalping e Day Trading podem atender às expectativas dos investidores que passam longas horas atrás das telas.

Por outro lado, se você não estiver tão disponível, provavelmente será melhor ampliar o seu horizonte de negociação e optar pelo Swing Trading, ou mesmo o Position Trading.

#2 Você prefere economia, matemática ou psicologia?

Se você prefere economia, opte por uma estratégia centrada na análise fundamentalista, focada em acompanhar com atenção o contexto macroeconômico e a saúde financeira das empresas.

Agora, se é mais tendencioso para a matemática, escolha uma estratégia baseada em análise técnica para estudar as estatísticas dos indicadores técnicos (e trabalhar em sua otimização).

Por fim, se preferir a psicologia, busque uma estratégia voltada para a análise comportamental, que considera os vieses cognitivos e emocionais dos participantes do mercado.

Bom saber

Na prática, os três métodos de análise não são tão segmentados e os Traders apreciam a combinação de várias abordagens!

#3 Você é impulsivo?

Nesse caso, é melhor optar por uma abordagem semi ou mesmo totalmente automatizada para confiar toda ou parte de sua tomada de decisão e operações aos algoritmos.

Caso você tenha um bom nível de autodisciplina, o Trading manual acaba sendo mais flexível e divertido, ainda que isso signifique confiar parte da gestão de suas posições aos algoritmos para limitar a carga mental ligadas à gestão das operações em curso.

Um modelo do sistema de Trading ideal (a ser concluído)

Uma vez escolhida a sua estratégia, defina as regras de negociação contribuem para personalizar seu próprio sistema de Trading. Ele deve ser baseado em uma certa quantidade de informações essenciais. Veja um modelo para construir o seu primeiro sistema:

  • Produtos financeiros negociados

Quais ativos e produtos financeiros você se permite negociar?

  • Intervalos de negociação (horas, dias, etc.)

De quanto em quanto tempo você se permite negociar?

  • Condições de entrada (sinais, tamanho da posição, risco, outros)

Em que condições você se autoriza a operar?

  • Condições de saída (sinais)

Você se compromete a sair de sua posição perante quais sinais?

O objetivo de um sistema de Trading é automatizar ao máximo a sua tomada de decisão, limitando a sua natureza impulsiva. Isso permitirá que você esteja mais na reflexão do que na reação durante as suas negociações.

Dominar os ativos financeiros negociáveis 

As 5 principais classes de ativos e suas especificidades

Ações

As ações correspondem a uma fração do capital social de uma empresa. É como um “pedacinho do negócio”.

Aqueles que possuem esses ativos em seu portfólio têm direito aos dividendos pagos pela empresa, bem como à informação e, em alguns casos, ao voto nas assembleias gerais da companhia.

As ações são agrupadas em índices de bolsas de valores nacionais, como o CAC 40 na França, DAX 40 na Alemanha, Nikkei 225 no Japão e Ibovespa no Brasil, ou setoriais (saúde, telecomunicações, transportes, etc.).

O risco de negociá-las é inerente a cada empresa. Isso porque uma companhia pode ver o preço de compra de suas ações dobrar de um dia para outro, assim como, ela pode ser colocada em liquidação compulsória e ver o preço de seus ativos cair a zero.

Por este motivo, os Traders normalmente preferem negociar índices de ações para se concentrarem no gerenciamento de risco do mercado como um todo.

Títulos de dívida 

Os títulos de dívida são papéis emitidos por empresas públicas ou privadas para captar recursos e correspondem a uma fração de dívida dessas companhias. 

Eles dão direito ao recebimento de juros pagos sob a forma de “cupons”, bem como a devolução do valor total investido no prazo de vencimento do título.

O Trading com esses ativos é pouco praticado por Traders individuais, devido a sua baixa liquidez e às taxas de corretagem relativamente altas.

Moedas

O mercado de moedas (FOREX) é o mais emblemático de todos e está presente na forma de taxas de câmbio, sendo o valor de uma moeda expresso em relação ao valor de outra.

Em média, ele é menos volátil que o mercado de ações. Contudo, o FOREX possui maior exposição ao risco, principalmente devido às rápidas mudanças de preços que podem ocorrer durante os discursos e decisões dos bancos centrais.

Para negociar em Forex e conseguir explorar as variações mínimas do mercado cambial, o Trader pode alavancar as suas posições e multiplicar os ganhos ou perdas durante as flutuações cambiais.

Bom saber

Por exemplo, uma variação relativamente pequena, de cerca de 1%, pode fazer com que o Trader perca todo o seu capital se ele usar um efeito de alavancagem de 100!

Commodities

As commodities energéticas (petróleo, gás natural) ou agrícolas (trigo, soja, milho) têm a vantagem de serem particularmente tangíveis e concretas. No entanto, elas são ativos voláteis e complexos de operar!

Certos parâmetros, como os custos de armazenamento ou transporte de matérias-primas, podem impactar os preços dos derivados financeiros associados.

Por exemplo, o preço do contrato futuro de petróleo ficou negativo por algum tempo em 2020.

Criptomoedas e ativos digitais (NFT)

O mercado de criptomoedas e ativos digitais como NFTs é um dos mais especulativos e voláteis do momento. As oportunidades de grandes ganhos são inúmeras, assim como os riscos de ruína total.

As taxas de corretagem permanecem relativamente elevadas, mas podem ser compensadas pela alta volatilidade desses ativos financeiros. 

Devido à natureza muito especulativa das criptomoedas, é aconselhável evitar o uso de alavancagem e investir apenas uma pequena porcentagem do capital nelas.

Não existe uma classe de ativos superior para tentar vencer o mercado. Certas categorias, como as criptomoedas, podem até ser mais “divertidas” de negociar, mas é importante garantir que você entenda o mercado no qual está investindo.

Um mapeamento dos principais produtos financeiros negociados pelos Traders     

Cada uma das 5 principais classes de ativos pode ser negociada através de diferentes produtos financeiros. Aqui estão os principais:

Derivativos financeiros

Os derivativos são produtos financeiros cujo retorno “deriva” de um ativo subjacente, que pode ser uma ação, uma commodity, uma moeda ou até mesmo um índice da bolsa de valores.

Do ponto de vista técnico, o valor de um derivativo resulta de uma relação matemática cuja variável é a rentabilidade do ativo subjacente. 

Por exemplo, um derivativo pode replicar o desempenho de um índice do mercado de ações multiplicando-o por 2.

Assim, se o índice valorizar +1%, o derivativo terá uma performance de +2% e se perder -1%, o produto terá uma performance de -2%.

Produtos estruturados

Os produtos estruturados correspondem a um conjunto de ativos financeiros, agrupados em um único produto. 

Essa combinação de diferentes ativos oferece ao investidor um produto feito sob medida para que ele possa apostar em um cenário específico de mercado, com menor custo e uma exposição de risco otimizada.

Os produtos estruturados geralmente consistem em dois elementos:

  • O primeiro garante a proteção do capital investido;
  • O segundo (mais arriscado) otimiza o rendimento do produto.

Produtos “nutella” e “raiz” preferidos 

Nos mercados financeiros, os Traders distinguem produtos simples, qualificados como “nutella”, daqueles mais complexos, qualificados como produtos “raiz”. 

Aqui estão alguns exemplos dos produtos mais negociados por pessoas físicas:

ETFs

Exchange Traded Funds (ETFs) ou fundos de índice são produtos financeiros que replicam as variações de alta ou de baixa de um ativo subjacente (ação, índice, commodity, etc.).

CFDs

O contrato por diferença ou CFD é um acordo entre o Trader e o seu intermediário financeiro para trocar o valor correspondente à diferença entre o ponto de entrada e o ponto de saída do Trader.

Contratos futuros

Os contratos futuros são um acordo pelo qual um comprador e um vendedor concordam em trocar um ativo no futuro a um preço estabelecido. Esses papéis podem ser negociados, mas não executados, antes do vencimento.

O Trading de CFD costuma ser o mais utilizado por pessoas físicas, principalmente porque oferece mais flexibilidade do que os contratos futuros e requer pouco capital.

Atenção: independentemente do tipo de ativo que você negocie, certifique-se de entender completamente como ele funciona e os riscos envolvidos. Sua saúde financeira nunca deve ser ameaçada pelo Trading!

Abra a conta de Trading certa

O método de gestão preferido com base no seu perfil

Gestão passiva x gestão ativa

O primeiro passo para aqueles que desejam investir em ativos financeiros é decidir se a sua estratégia será baseada em uma gestão ativa, que busca vencer o mercado, ou passiva, que visa apenas replicar o seu desempenho.

Gestão indireta x gestão direta

O segundo passo é escolher entre uma estratégia de investimento indireta, confiada a terceiros, ou direta, ficando em suas mãos

Para um Trader independente, o modo de gestão é necessariamente ativo e direto, mas o seu capital não precisa ser alocado apenas na caixa N°2.

Diversificar o patrimônio utilizando diferentes métodos de gestão (Caixas N°1, N°3 e N°4) e instrumentos (aluguel de imóveis, private equity, entre outros) é uma maneira de manter um equilíbrio financeiro.

Ao distribuir os seus investimentos no método “PAID” (Passivo – Ativo – Indireto – Direto), você atribuirá a eles um modelo de gerenciamento claro e definitivo, evitando muitos erros.

Uma boa saúde financeira é uma questão de equilíbrio. A “emoção” de negociar, por mais tentadora que seja, não deve comprometer o seu futuro financeiro. O método PAID reduzirá o risco dos investimentos passivos se desviarem para a gestão ativa.

Fique atento aos custos 

Os custos operacionais envolvidos em uma operação de Trading, como Impostos e taxas de corretagem, podem ter um impacto significativo no desempenho do Trading. Portanto, fique atento!

Em geral, os ganhos de capital conquistados no mercado de ações brasileiro são tributados na alíquota de 15% do Imposto de Renda, quando as movimentações mensais não ultrapassam R$20 mil.

Abaixo deste valor, o lucro não é tributado. Contudo, essa regra não vale para o day trade, cuja cobrança é sempre de 20%, independentemente do volume negociado.

O ganho de capital conquistado em reais nas negociações realizadas no exterior é tributado em 15%. Caso não ultrapasse R$35 mil, o investidor está isento de IR.

Escolha a corretora certa

Quer seja um principiante ou um Trader experiente, pode ser particularmente difícil comparar as diferentes corretoras, pois são muitas e as condições oferecidas variam. 

Para fazer a escolha certa de acordo com seu perfil de trader e objetivos financeiros, reserve um tempo para esta análise. Confira nosso TOP das melhores corretoras de Trading para lhe auxiliar nesse processo.

Gerencie os riscos com o Money Management

Seus melhores aliados nos mercados financeiros

Infelizmente, muitos golpes e falsas promessas ocorrem no mundo do Trading. Para evitá-los, você pode contar com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por fiscalizar, normatizar e desenvolver o mercado de capitais brasileiro.

A B3, entidade responsável pelo registro, liquidação e custódia das operações realizadas no mercado de bolsa e balcão no Brasil, também atua como reguladora delegada pela CVM, segundo o Ministério da Fazenda.

Vale mencionar que algumas operações ainda não são regulamentadas no Brasil. É o caso do mercado Forex. Por tratar-se de negociações que envolvem riscos, a CVM desenvolve materiais educativos sobre o assunto. 

Erros comuns de Traders iniciantes que podem ser evitados

#1 Operar além das suas reservas financeiras

Os ganhos e as perdas no Trading devem ter um impacto limitado em seu patrimônio e na sua situação emocional. Portanto, reduza o tamanho de suas posições sempre que necessário.

Operações alavancadas devem ser feitas com muita parcimônia, conduzidas por profissionais experientes e nunca impactando todo o seu capital.

Reservas financeiras que lhe garantam equilíbrio financeiro não devem ser colocadas em operação arriscadas. Tenha um “colchão” para amortecer caso haja perdas inesperadas e assegure-se estarem aplicadas com segurança e terem resgates facilitados.

#2 Não limitar suas perdas

Nenhum Trader tem 100% de sucesso nos mercados financeiros. Mais cedo ou mais tarde, todos enfrentam as suas primeiras perdas.

Portanto, cuidado para não se deixar levar por um bom momento do mercado. Uma tendência, por mais improvável que pareça, pode continuar por muito tempo e resultar em grandes perdas.

Isso explica porque o uso de stop-loss é uma excelente alternativa para proteger o capital. Afinal, essa ferramenta limita automaticamente as perdas no caso de um movimento de reversão do mercado. 

“O mercado pode permanecer irracional por mais tempo do que você pode permanecer solvente.” John Maynard Keynes

#3 Permanecer com posições alavancadas durante a noite

Uma ordem stop-loss não protege você em caso de “gaps” do mercado. As fortes e rápidas mudanças de preços dos ativos, durante um pregão ou quando os mercados reabrem após uma noite ou fim de semana, podem causar perdas de capital significativas.

Sem falar que essas variações abruptas também podem negativar o seu capital e deixá-lo endividado caso esteja operando com alavancagem!

Os 7 riscos do Trading (e como se proteger deles)

A seguir, confira os 7 principais riscos inerentes ao Tranding. Reconhecê-los faz parte de uma atuação madura e responsável do Trader


Risco de mercado

O risco de mercado corresponde à possibilidade de perder parte do capital investido, seja por uma queda generalizada do mercado ou por pela venda de um ativo abaixo do seu preço de compra.

Lembre-se que o preço de um produto financeiro pode cair repentinamente para zero ou sofrer uma desvalorização imediata e repentina de vários por cento!

Risco cambial

O risco cambial surge quando se investe em uma moeda estrangeira cuja taxa de câmbio flutua face ao real.

Por exemplo, se você investir em ações da empresa Apple, listada na bolsa de valores americana, cujo preço é denominado em dólares (USD), você estará exposto ao risco cambial, uma vez que a taxa de câmbio real-dólares está em constante mudança.

Assim, para saber a evolução em reais do seu investimento feito em dólares nas ações da Apple, você terá que considerar as variações da taxa de câmbio entre o real e o dólar.

Essas flutuações podem aumentar o seu desempenho (se o dólar aumentar em relação ao real entre a compra e a venda de suas ações) ou diminuí-lo (se o dólar desvalorizar em relação ao real).

Risco de contraparte

Quando se investe em um derivativo ou em um produto estruturado, você não possui o ativo propriamente dito. Neste caso, você está comprometido com um contrato.

Nos mercados organizados, a contraparte deste contrato é uma câmara de compensação, instituição capaz de honrar os compromissos acordados em todas as circunstâncias. 

Já nos mercados de balcão, a contraparte do contrato é outro investidor, que pode não cumprir todos os seus compromissos ou demorar a fazê-los. Trata-se do “risco de contraparte”.

Risco de fraude 

A compra e venda de produtos financeiros geram fluxos significativos de dinheiro que inevitavelmente atraem golpistas de todos os tipos e suas promessas falaciosas. Por isso, cuidado com ofertas muito atraentes!

Lembre-se que não existe uma “estratégia milagrosa” ou um “investimento garantido altamente lucrativo”. Qualquer retorno acarreta risco e, quanto mais alto ele for, maior será o seu nível de exposição.

Portanto, verifique sempre a identidade e a reputação do serviço ou da pessoa em quem você está prestes a confiar e não hesite em entrar em contato com as autoridades reguladoras competentes para ter o máximo de informações possíveis.

Risco operacional

Quando você utiliza um intermediário financeiro para realizar as suas operações, como as corretoras de valores, as ordens de compra ou venda dos ativos podem ser mal executadas ou até mesmo não serem realizadas.

Essas dificuldades técnicas surgem principalmente quando os mercados são muito voláteis e ilíquidos, com movimentos de preços abruptos e poucos investidores operando.

Uma ordem só pode ser executada quando encontra uma contraparte. Se ninguém aceitar o preço que você deseja, o seu pedido simplesmente não será executado. Caso alguém se interesse por uma quantidade menor, a sua ordem será executada apenas parcialmente.

Quando você usa uma ordem a mercado ou de stop loss, você controla o momento em que ela é acionada, mas não o preço pelo qual a ordem será executada e ainda corre o risco do preço ficar abaixo das suas expectativas!

Risco jurídico

A compra ou venda de ativos financeiros baseada em informações privilegiadas é considerada um crime financeiro, podendo resultar em severas multas e até mesmo um a cinco anos de reclusão, conforme previsto na Lei 6.385/76.

Qualquer tentativa de manipulação do mercado, seja por meio de mecanismo técnico ou pela divulgação de informações falsas, também é uma prática ilegal.

Os Traders profissionais normalmente estão cientes desses riscos, mas os iniciantes podem cair na ilegalidade por desconhecimento da lei. 

Sendo assim, nunca se envolva em uma prática que considere controversa em relação aos regulamentos ou injusta em relação a outros investidores!

Risco do vício

O último dos 7 riscos apresentados neste módulo costuma ser visto como um “tabu”. Trata-se do risco do vício em Trading.

Esse tipo de negociação gera ganhos e perdas, que podem desencadear um fenômeno de dependência, principalmente no contexto de práticas especulativas. Afinal, elas resultam em repetidas descargas de altas doses de dopamina e adrenalina no corpo.

Muitos especuladores passam dias vidrados em suas telas, observando seus gráficos e “jogando” na bolsa de valores como se estivessem em um cassino.

Eles apostam valores cada vez mais altos em busca de emoções e, inevitavelmente, acabam registrando grandes perdas financeiras, colocando em risco seu equilíbrio financeiro e social.

Por isso, certifique-se de que você permanece como o mestre do “jogo” em todas as circunstâncias!

Analise o seu desempenho como um profissional

Os principais indicadores de desempenho saudável

O desempenho de uma operação sempre deve considerar o risco assumido. Trata-se da famosa relação risco/retorno!

O Índice Sharpe e o Fator de Lucro costumam ser os principais indicadores utilizados para medir esses resultados. A seguir, saiba mais sobre eles. 

Índice Sharpe

O Índice Sharpe mede o desempenho por unidade de risco. Através dele, é possível comparar dois resultados obtidos em operações com diferentes níveis de exposição ao risco e descobrir qual delas apresentou maior rentabilidade por unidade de risco.

Fator de lucro

O Fator de Lucro consiste em dividir a soma dos ganhos obtidos pela soma das perdas registradas. Assim, quanto maior for esse indicador, melhor o desempenho do Trader.

A fórmula exata para calcular o seu desempenho líquido real

Saber distinguir com precisão o desempenho bruto do desempenho líquido (antes e após os impostos) é uma forma de evitar que você empobreça achando que está ganhando dinheiro.

Performance nominal e real

O rendimento nominal é aquele obtido sobre o capital. Por exemplo, se você tinha R$100 e agora tem R$102, significa que sua performance nominal foi de +2%.

No entanto, esse retorno corresponde apenas a uma alteração do capital e não ao seu poder de compra. Afinal, ele não considera a inflação, ou seja, a perda de valor da moeda ao longo do tempo.

Para interpretar um determinado desempenho com mais precisão, é preciso corrigi-lo pela inflação e obter o chamado desempenho “real”.

Voltando ao exemplo anterior, se o seu capital passou de R$100 para R$102 e a inflação foi de 1,5% no período, a sua performance real é de 2% menos 1,5% de inflação! Neste caso, o capital aumentou +2%, mas o poder de compra valorizou apenas +0,5%.

Embora o desempenho nominal seja mais fácil de calcular e manipular, o desempenho real fornece uma visão mais precisa e ajustada pela inflação.

Performance bruta e líquida 

O desempenho bruto corresponde aos resultados acumulados em uma aplicação financeira sem considerar as taxas e impostos que incidem sobre ele. 

Em um primeiro momento, a performance bruta pode ser mais atraente que a líquida. Contudo, isso costuma mudar quando todos os custos são deduzidos. 

Veja como calcular o desempenho real das suas operações:

Desempenho Real = Desempenho Nominal – Inflação – Taxas de Corretagem – Impostos

A ilusão do prêmio de risco

Ganhar dinheiro não significa “vencer o mercado”. Entender essa diferença é um bom começo, mas também é preciso conhecer duas noções-chave do Trading: a anomalia de mercado e o prêmio de risco.

As anomalias de mercado são padrões inexplicáveis nos preços dos ativos, temporários ou persistentes, causados por diferentes fatores, como erros de precificação, comportamento irracional dos investidores.

Logo, ela remunera a habilidade do Trader que consegue explorar com sucesso uma determinada situação de mercado, que se repetida resultaria sistematicamente em um ganho.

Já o prêmio de risco corresponde a compensação exigida pelos investidores que assumem riscos ao aplicar em um determinado ativo ou mercado. Neste caso, ele remunera a sorte do Trader.

Bom saber

Confundir prêmio de risco com prêmio de mercado pode custar caro. Por exemplo, muitos Traders iniciantes apostam na alta dos preços das ações pouco antes da divulgação dos resultados trimestrais, na expectativa de que eles sejam positivos.

Mas atenção: essa tática pode custar algumas dezenas de por cento quando os resultados não correspondem ao esperado.

Geralmente, isso não é uma anomalia de mercado e sim um prêmio de risco, ou seja, a remuneração do risco de ver os preços da empresa desvalorizarem por falta de bons resultados.

Comportamento responsável

5 princípios-chave para ter em conta

Para ter sucesso em sua jornada como Trader e investidor, nunca esqueça de alguns princípios fundamentais, como:

#1 Saiba porque você está comprando ou vendendo um ativo

Ao decidir negociar no mercado, o trader deve reconhecer o propósito de suas transações financeiras e manter-se atento a ele ao longo do tempo. Por isso, seja muito específico na justificativa das suas operações e na definição de seus objetivos.

#2 Entenda como funcionam os produtos financeiros negociados

Se você não sabe totalmente como funciona um ativo, não use! Reserve um tempo para conhecer em detalhes sobre ele antes de negociá-lo. Isso reduzirá as chances dos erros de manuseio que normalmente resultam em grandes perdas.

#3 Diferencie perguntas de metas financeiras

As finanças podem responder a algumas perguntas, mas não a todas. Algumas respostas são baseadas no estilo de vida de cada um.

Perguntas que você faz a si mesmo, como “quanto rende 2% sobre R$1000?”, costumam ter respostas específicas.

No caso das metas financeiras, a escolha é sua! Afinal, apenas você saberá responder perguntas como “quanto deposito na minha conta de Trading?” 

#4 Ouça os outros, mas pense por si mesmo

Seja qual for o nível do seu interlocutor, considere que você tem pelo menos tanto bom senso quanto ele e submeta cada uma de suas falas ao seu senso crítico. Isso também se aplica a este conteúdo!

#5 Na dúvida, mantenha a simplicidade

Não complique as coisas mais do que o necessário. A estratégia de Trading perfeita não existe e às vezes é melhor ignorar os detalhes para seguir os contornos.

Não faz sentido procrastinar se o seu indicador técnico for definido em um período de 15 unidades de tempo em vez de 14. Essa otimização não faz sentido e pode até ser contraproducente…

Recursos sérios para ir mais longe

Confira algumas maneiras de desenvolver suas habilidades como Trader:

  • Cursos de Trading: os melhores cursos de Trading podem economizar seu tempo de aprendizado, permitindo que você adquira uma base sólida de conhecimento teórico.
  • Livros: os melhores livros de Trading permitem que você viaje pelas mentes de Traders de sucesso para descobrir as suas estratégias, se beneficiar de suas experiências e se inspirar em suas histórias.
  • Filmes e documentários: sejam os de pura ficção científica ou inspirados em fatos bem reais, os melhores filmes de Trading ajudam a fortalecer a sua cultura financeira e podem trazer um toque de criatividade.
  • Imprensa especializada: consultar as melhores mídias financeiros para acompanhar as notícias, decifrar os altos e baixos do mercado, organizar seu monitoramento de informações, provavelmente fará parte do seu dia a dia como Trader independente.
  • Redes sociais: LinkedIn, Twitter, Instagram… As plataformas sociais são uma ótima maneira de tomar o pulso do mercado e trocar informações com outros Traders para não ficar sozinho com seus gráficos de ações.
  • Vídeos do YouTube: os melhores canais de Trading do YouTube oferecem a oportunidade de completar o seu conhecimento gratuitamente, no seu próprio ritmo.
  • Podcasts: se você está preso no trânsito ou na esteira, por que não aproveitar esse momento para ouvir alguns dos melhores Podcasts de Trading?
  • Newsletters: as melhores newsletters de Trading permitem que você receba informações qualificadas diretamente no seu email.

Última dica de você iniciar a sua jornada no Trading

Neste conteúdo, você teve acesso às informações necessárias para conhecer o Trading com seriedade e começar a negociar no seu próprio ritmo. 

No entanto, essa é apenas uma visão geral de tudo o que você pode aprender sobre os mercados financeiros. A prática é um laboratório maravilhoso para desenvolver as suas habilidades. Por isso, seja curioso e continue aprendendo!

author

Maxime PARRA

Apaixonado pelo mercado financeiro, Maxime pratica day trading desde os seus 18 anos. Já ministrou mais de cem palestras e treinamentos em prestigiadas escolas de negócios e engenharia na Europa. Atualmente, ele é CEO da Syntax Finance, uma agência que acompanha as principais marcas do setor financeiro mundial em suas estratégias de marketing de conteúdo.

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